edição 01 - abril /2001


A REPRODUÇÃO DA OBRA DE ARTE
NA ERA DA INFORMÁTICA


Até poucos anos atrás um dos escaninhos mais defendidos pelos artista plástico em termos de objeção era a reprodução das obras de arte. O trabalho do artista plástico quer em tela, desenho aquarela ou gravura sempre foi protegido pelos seus autores e prepostos com a intenção de tornar a obra como única e objeto de uma visão particular e reduzida.

Mesmo a gravura tem tido desde há muito tempo uma restrição a tiragens das chamadas "provas", em que os exemplares eram rigorosamente previstos em pequeno número, assinados, controlados pelo artista e sua matriz inutilizada ou chancelada de maneira a não permitir novas edições.

A gravura, nesse sentido, tinha em cada exemplar a intenção de ser uma prova individualizada como um original.

Mesmo com os processos contemporâneos de "off set", "xerox" e outros meios de reprodução a obra única, mesmo copiada não atingia o mercado e tinha uma linguagem absolutamente desvalorizada.

Os tempos são outros agora: com o constante avanço da área digital na informática os artistas, museólogos, colecionadores e galeristas estão em face de uma realidade concreta e irrefutável. A reprodução da obra de arte entra em uma fase extremamente importante e abre um nicho surpreendente em todas as atividades ligadas ao mundo das artes.

Até então os processos de reprodução eletrônica esbarravam em variáveis prejudicadas como a falta de definição da imagem, a baixíssima resistência das cores e a falta de idoneidade dos suportes.

Pois bem, tudo isso faz parte de um passado: novos "scanners", novas impressoras de última geração e papeis e telas susceptíveis de serem impressos ä perfeição estão revolucionando o conceito da duplicidade na obra de arte.

As possibilidades são imensas: uma aquarela, um desenho uma pintura a óleo ou a outra técnica podem ser reproduzidas em imagens extremamente fieis em relação ao original e colocadas no mercado com preços extremamente reduzidos.

Uma vez identificadas pelos autores artistas, pelos impressores e pelas galerias, uma nova linguagem da fruição de artes plásticas está disponível.

Uma vez regradas pela ética que deve conduzir o mercado abstém-se uma possibilidade importante da aquisição da obra artística por uma multidão de pessoas , ávidas em possuir uma imagem de um artista famoso ou de sua empatia.

O processo mais atual da reprodução digital é o denominado "gicleé" : uma foto da tela, desenho ou aquarela, mesmo pastel é digitalizada e reproduzida em "plotters" de alta definição, supridos por jato de tinta com resistência a luz comprovada em teste (atualmente provadas idôneas por oitenta anos).

Impressa a imagem em papel, tela ou outros substratos que reúnem condições físicas de alta logenvidade(papéis de arte com vida útil de até cento e vinte anos) as reproduções a olho nú não se diferenciam em nada do trabalho original.

Ao artista cabe o controle, a assinatura e numeração das provas entregues ao mercado.

Os processos da digitalização do trabalho do artista como todo o objeto comerciável e do desejo correm riscos importantes nessa nova maneira de suprir o mercado de arte: a cópia clandestina, a pirataria, o furto de imagem por terceiros, prestadores de serviço e demais formas ilícitas do direito autoral estão a espreita...