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edição
02 - agosto/2001
- Carlos Rielli Jr.
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MUDANÇA
DE HÁBITO
Suas
obras de arte, nesse século, estarão
sujeitas a diferentes tipos de degeneração
e sinistros, fato o que nos levará
a modificar o tratamento e as técnicas
de limpeza e conservação. Imaginem
que um quadro, no séc. XX, sofria
a ação de fuligem, ou seja de luz
vela e fogão a lenha e nicotina
dos cigarros. Apenas no final do
século é que a poluição passou a
ser fato degenerativo da pintura.
Já no começo do séc. XXI, com a
mudança dos hábitos, a nicotina
deixou de ser uma das principais
causas de empobrecimento da capa
pictórica, e a principal vilã, passou
a ser a graxa poluitiva, resultado
dos diversos gases e partículas
que se encontram em suspensão na
atmosfera.
Outra mudança de hábitos que também
veio a aumentar a parcela de riscos
de uma obra de arte, é a mais constante
mudança de endereço que esta obra
está sujeita.
Como ainda na maioria dos casos,
nossos quadros estão envernizados
com vernizes de origem e conceitos
europeus, os danos aferidos á pintura
no começo desse século, embora mais
amenos que os do século passado,
ainda são bastante prejudiciais
à tela!
Costumava-se em tempos passados,
conservar a casa da família, assim
como seus utensílios, por gerações
e gerações... Agora, existem constantes
mudanças físicas e de proprietários
que são habituais e corriqueiras,
e o "provisório definitivo" passou
a fazer parte de nossas vidas.
Outra
mudança de hábito notada, é o rigor
do acompanhamento da moda de decoração,
o que faz com que o quadro tenha
sua moldura trocada por diversas
vezes, existindo ainda, um revezamento
entre paredes principais e fundo
de armários, dependendo da moda
da década.
Com todo esse "vaivém" uma obra
de arte passa por um número muito
maior de seqüências que podem aumentar
consideravelmente o risco de um
sinistro mais grave. O tratamento
devido para esse tipo de dano, é
a constante limpeza do quadro por
um perito. Costuma-se passar uma
flanela extremamente macia na pintura
diariamente como meio de conservar
o pigmento limpo.
Agora imaginem... passar a flanela
diariamente, por anos a fio... o
fator abrasivo, corresponde ao de
10 minutos contínuo de lixa grossa!
Por isso acontece de um quadro "perder"
a cor ou mesmo a assinatura, que
em diversos casos, era colocada
após o quadro totalmente pronto
e portanto sobre o verniz.
A solução é encaminhar o quadro
numa freqüência maior a um ao restaurador,
que solucionará o problema da limpeza
da mudança do verniz, assim como
fazer a verificação das estruturas
de suporte da obra.
Uma vez que o quadro, coberto por
camada graxosa, sem a exuberância
devida, e o brilho natural concebido
pelo pintor, vai fatalmente perder
o efeito luz e sombra, o efeito
estético, decorativo e principalmente
artístico.
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