CARLOS RIELLI JR

A arte de comprar arte

Sem dúvida alguma, a compra de arte, é um prazer que pode trazer lucro ao mesmo tempo em que atribui status e classe a tua casa. O grande segredo para que isso aconteça com segurança, é comprar certo. Quantas e quantas vezes não confiamos em nossa própria "capacidade técnica" e compramos algo errado? Em arte ocorre à mesma coisa, e o problema é que quando você descobre, muito tempo já se passou e você nem tem como reclamar ou mesmo conseguir teu investimento de volta. E geralmente um alto investimento.

O simples fato de você ler sobre determinado pintor, ou livros sobre estilos e designs de peças, mobiliários, esculturas, não faz de você um perito em identificação! Tenha a certeza que do outro lado, poderá ter um falsificador que sabe exatamente quais os detalhes você irá reparar, prepara cada canto da peça que você certamente irá mexer e sondar para ter a certeza de sua autenticidade, e como ele é um "profissional do mal", sem dúvida acabará por vencer essa competição.

Na compra, seja de peça, mobiliário ou quadro, você precisa ser extremamente simples, meio que detetive, notar detalhes corriqueiros pois são esses detalhes, os pontos que o falsário acaba pecando, e portanto deixando a fraude transparecer.

Um exemplo: Na compra de um quadro falso, a assinatura certamente é perfeita, exatamente como o à do artista, afinal esse item foi exaustivamente feito e refeito pelo falsário, mas à parte de traz do quadro, a tela e o chassi, são visivelmente de épocas diferentes as das atribuídas pela época de nascimento do artista. Basta você fazer um comparativo com móveis e utensílios da tua própria casa, que você chegará a tais conclusões! Imagine se você deixar a cortina de tua sala, sem lavar por 5 anos... já imaginou? pois é... chegaria em um estado próximo ao podre! A tela de um quadro, como uma cortina, também é de pano e se deteriora exatamente da mesma forma! Se por exemplo, o pintor que assina o quadro, morreu em 1.945, a tela e a madeira do chassi tem que ser compatível com tal época, se for novinha, como tua cortina de 5 anos... o quadro é uma falsificação! O mesmo se aplica para a parte de dentro das gavetas dos móveis de "começo de século", para os "Made In" das cerâmicas "Companhia das Índias", para a marca de emenda de formas por esculturas "feitas a mão".

Às vezes, acontecem verdadeiras arapucas, com o intuito de fisgar um comprador de boa fé, e normalmente conseguem! A ação ocorre da seguinte maneira: Um anúncio de jornal, oferece um quadro de "Portinari" de uma ótima fase. A "vítima", pega o endereço e vai para casa da pessoa ver o quadro, casa essa que geralmente se situa em algum bairro nobre, casa imponente. É recebido por uma senhora idosa, dizendo estar se desfazendo de algumas peças e quadros. Quando nossa vitima entra na sala, vê Portinari, quadro absolutamente verdadeiro, mas na hora do preço nota que o valor é semelhante ao de qualquer galeria de São Paulo. Claro, o Portinari não seria um ótimo negócio, mas eis que seu olhar de lince, nota um outro quadro, este de Di Cavalcanti em um canto da parede.

Pergunta se o mesmo está à venda e a velhinha completamente ignorante diz que não sabe quem é o pintor, mas que por um valor razoável, estará disposta a cede-lo. Vende o Di Cavalcante por uma fração do preço real,e até mesmo emite um recibo vendendo um quadro com assinatura ilegível. Pronto!!! O golpe deu certo! Nossa vítima, certa que fez um negócio maravilhoso, que ganhou uma pequena fortuna, acaba de entrar em dos mais populares golpes! Se voltar a casa da velhinha, irá notar que somente a sala da casa estava decorada, e que a muito, assim que ele partiu, a velhinha e a decoração sumiram! Tecnicamente, a velhinha não o tapeou, nem disso nossa vítima pode reclamar. Resta amargar o prejuízo e rezar para que os amigos não descubram! Esse caso, é um dos muito que acontecem freqüentemente sempre que existe uma venda de obras de arte falsa, o valor da peça é proporcional à criatividade do estelionatário.

O ideal a fazer, é você comprar a peça, ou mesmo reservá-la mas levar a um perito que possa identificar a autenticidade, a época, à qualidade e a compatibilidade de valores dentro de critérios de avaliação. Tal segurança, será muito importante principalmente na hora da venda, pois um perito dará tal instrução mediante a um documento, que não perde o valor a não ser em raros casos de contestação por um perito ainda mais capacitado. Tal documento chama-se "Expertise", e quanto mais cara for à obra, de mobiliário a quadros, esta se faz ainda mais necessária. Nesses casos, o "tenho certeza", o "juro que foi de meu bisavô" ou mesmo o "eu vi o artista pintando" caem por água abaixo ou se comprovam, mas para um futuro comprador essa certeza de um investimento seguro, facilitará em muito a revenda. Aí você verá que os valores cobrados de 3% a 6% do valor da obra para identificação, são até mesmo baratos. Caro mesmo, é pagar 100% de algo que não vale nada!

 


voltar