CARLOS RIELLI JR

Prevenção da ação de umidade em obras de arte


Dentre os diversos fatores de degeneração de uma pintura, uma das mais comuns são as colônias de fungo. Em paises de clima subtropical como o Brasil, um dos mais graves danos que podem ocorrer com um quadro é a umidade, e a partir desta é que se procede ao desenvolvimento das colônias de fungos aeróbicos.

Duas são as maneiras em que a ação da umidade pode prejudicar um quadro. Uma delas é a ação frontal presente em um ambiente com alta porcentagem de umidade do ar, que irá agir diretamente sobre o verniz do quadro, gerando as condições para a evolução de colônias de fungo.

A outra, bem mais grave, é a umidade proveniente da parede ou da base onde o quadro está encostado. Nesse caso, o verniz que atua como um vidro sobre a pintura, portanto impenetrável para a entrada ou saída do ar, impede que a umidade saia livremente pela frente da obra. Entre a parede e a tela, existe o chassi, e nesse espaço, semelhante a uma câmara, estabelece-se uma estufa com condições de temperatura e umidade diferentes do restante do ambiente.

Um quadro é composto de um suporte de tela, de pigmentos aderidos sobre a mesma, e sobre tudo isto, de um verniz de proteção. Este verniz é impermeável e funciona como a vedação da estufa de que falamos. Assim, a umidade (e os fungos), quando acontece uma diferença de temperatura externa, e o ar da estufa tende a se expandir, pressionam a tela, que, permeável, permite que estes elementos cheguem até a camada de pigmentos, e atinjam a camada de verniz, por dentro. Forma-se aí um ambiente propício para criação de fungos e bactérias que por ser protegido e ao mesmo tempo ter uma umidade quase que constante, dá condições a uma rápida evolução da colônia, colocando em risco a estética e a estrutura pictórica como um todo.As soluções encontradas para evitar tais danos são de simples execução.

No primeiro caso, quando a umidade vem do ar externo, a solução é usar um verniz a base de cera mais maleável e menos propenso a aglutinar tais colônias de fungo. Limpar eventualmente à parte de traz da tela e chassi, com um pano embebido em benzina em pouca quantidade para que não ultrapasse a espessura da tela, também deve ser considerado.

No segundo caso,quando a parede é úmida, a solução é ainda mais fácil: gruda-se à parede uma fina placa de isopor, de tamanho ligeiramente maior que o chassi e menor que a moldura. Dessa maneira o fundo do quadro ficará completamente isolado da umidade proveniente da parede.

Também é recomendado, para ambos os casos, espanar semanalmente o quadro, usando um espanador de plumas destinado apenas para tal fim.


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