CARLOS RIELLI JR

Patrimônio mal cuidado perde valor comercial


Obras de arte que passam anos e anos penduradas na parede, suportando todas as mazelas climáticas de nossas indefinidas estações, acabam adquirindo uma camada graxosa, composta de inúmeros elementos corrosivos e degenerativos. Esta camada é o ambiente propício para o desenvolvimento de fungos e bactérias, que desidratam e alteram a pigmentação original de uma pintura.

Segundo o perito e restaurador de obras de arte Carlos Rielli Jr., "é preciso uma ação preventiva para evitar que o dano causado pelo tempo prejudique o valor artístico e comercial da obra".

O processo de restauração é composto, basicamente, por três fases distintas: testes preparativos em toda a capa pictórica (até nos menores tons das cores básicas); restauração propriamente dita, que consiste na remoção de resquícios de verniz e da camada graxosa, limpeza completa da capa pictórica e eliminação e remoção de colônias de fungos impregnadas na tinta; refixação de toda a capa pictórica na tela (que vai paralisar o processo de "craquelagem" na tela).

"Após todo este trabalho é preciso, ainda, aplicar uma camada de verniz 'Adaubert' e, sobre este, dar o retoque ilusionista (pigmento puro mais água), quando necessário. E, enfim, aplicar mais três camadas distintas de verniz "'Adaubert'", explica Rielli.

Conforme os padrões internacionais de restauração, qualquer trabalho realizado em uma obra de arte deverá ter o padrão de reversibilidade. Afinal, cabe ao restaurador devolver a obra de arte a sua beleza original.


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