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Restauração:
mistérios, lendas e tradições
"Restaurar é a arte
de recompor um original!" Com
essa definição, vamos
encarar o restauro como uma ciência
exata que cuida de preservar e recompor
aquilo que já foi criado.
É muito grande a diferença
entre restaurar e reformar, são
coisas completamente distintas,
pois o restauro preserva na totalidade
as características atribuídas
à obra pelo autor e, reforma,
atribui uma nova "alma"
a obra de arte.
A origem do restauro, vem do tempo
dos homens das cavernas, onde o
desejo de preservar a criação
de outra pessoa, logrou no desenvolvimento
de técnicas especiais para
tal fim. Na idade média,
até tempos mais recentes,
os produtos usados, eram os fornecidos
pela natureza, usava-se bílis
de boi (emoliente de pigmento),
polvilho azedo (contra fungos) etc.
Hoje em dia, usam-se produtos mais
atuais, área onde me dedico
bastante e de uma feroz combatividade
frente aos tradicionalistas. Por
ex:, uso antibiótico onde
se usava de polvilho azedo, e silicone
como substituído à
bílis bovina.
O restaurador, deve obedecer a certas
regras como a respeitar a reversibilidade
do trabalho por ele feito, pois
se assim não fosse, um quadro
de 500 anos, seria uma sobreposição
de vários restauros, deixando
o original, escondido! O restauro
bem feito, e realizado por um profissional
gabaritado em Fine Art´s,
nunca irá desvalorizar ou
depreciar a obra, claro que dentro
de um critério onde o sinistro
não envolva na perda total
de características principais
da obra, como por exemplo o rosto
do personagem principal, fato este
que força o restaurador a
dar seqüência ao "criar"
para poder manter ao menos a estética
da obra, uma vez que o valor comercial
e artístico, se foi!
Existem três tipos de restauro,
o arqueológico, ou museuológico,
onde nada é acrescentado
a aparência final da obra,
visando preservar sem maquiagem
a obra como ela está no dia
da conservação ou
o que restou dela. O tratégio,
uma técnica que retoca o
original através de micro-bastões
multicoloridos, proporcionando ao
expectador situado a uma certa distancia,
uma situação de plenitude
da obra original, sem danos. Apenas
chegando perto é que se nota
os locais de restauro.
E por fim, a mais usada, o ilusionismo,
que é o tipo de restauro
reconstrutor, que retoca a obra
nos locais de sinistro, conforme
era na original, mas sem contanto
tocar fisicamente no trabalho do
artista.
É simples como isso é
possível... quando um quadro
aparece com um furo, as providências
tomadas pelo restaurador são:
_a limpeza
_a desinfecção da
obra
_a reconstituição
da base (ex: remendo na tela por
trás)
_a nivelação através
de massa mineral
_o isolamento dessas áreas
afetadas
_e a aplicação de
camadas múltiplas de verniz
Só então, é
que o retoque terá início,
sendo que a tinta usada pelo restaurador,
não "toca" nem
se agrega á tinta utilizada
pelo criador! Existem o material
isolante, e as camadas de vernizes
entre elas.
Quando
o próximo restaurador for
trabalhar com a mesma obra, um simples
removedor de vernizes (que não
afeta a tinta) irá retirar
todo o verniz, e por conseguinte
qualquer pigmento que se encontre
sobre este!
Todos materiais, colas, ceras, solventes,
tintas, massas etc. utilizadas pelo
restaurador em um trabalho, obedecem
necessariamente à condição
de reversibilidade, ou seja, podem
ser removidas sem afetar o original.
Dentre
danos mais freqüentes em uma
obra de arte, vamos usar a pintura
como exemplo, estão em primeiro
lugar as condições
atmosféricas, a graxa produzida
pela poluição das
cidades (antigamente originária
de velas, fogões a lenha
etc), aos maus tratos que a obra
passa através de sua "vida",
e acreditem, pela quebra do suporte
ou do prego que segura a tela na
parede!
Para
a exposição correta
de uma obra de arte, deve-se evitar
ao máximo, a incidência
das intempéries sobre tal
obra. O sol direto, umidade, calor
excessivo, choques térmicos,
desidratação, são
fatores que precisam ser observados.
Os locais de exposição
de tal obra, devem ser refrigerados,
livres de umidade e parasitas, e
longe das correntes de ar!
Quanto à conservação
simples, é necessário
e recomendado a passagem de um espanador
de plumas uma vez por semana. Apenas
e tão só isso!!!!
Citarei algumas das crendices e
costumes erroneamente usados na
limpeza e conservação
de uma obra de arte:
- Passar batatas ou cebola sobre
a tela.
Efeito imediato- hidratação
da capa pictórica realce
de brilho e cores.
Efeito secundário- tão
logo esteja seco a proteína
ou o amido desses vegetais, será
iniciado um processo de desenvolvimento
de colônias de fungo nos resíduos
destes o que acarretará uma
opacidade sobre a pintura e a curto
espaço de tempo um grave
sinistro sobre a capa pictórica.
- Passar óleos, lustra móveis,
terebintina etc.
Efeito imediato- hidratação
da capa pictórica realce
de brilho e cores.
Efeito secundário- Assim
como o exemplo anterior, o efeito
de desidratação será
semelhante, apenas levando um pouco
mais de tempo para tal fato acontecer.
- Aplicar camadas de verniz antes
de limpar o quadro
Efeito imediato- hidratação
da capa pictórica realce
de brilho e cores.
Efeito secundário- Nesse
caso, será criado um sanduíche
de matérias orgânicas,
graxosos, e proteinícos entre
as camadas de vernizes, o que virá
a prejudicar a qualidade estética
e artística da obra.
- Passar pano ou flanela diariamente
sobre uma obra de arte.
Apenas um exemplo poderá
servir como alerta. Imaginem que
o poder de abrasão de uma
flanela, seja mínimo, digamos
valor 0,5 , e de uma lixa seja valor
500. Uma pequena passada de flanela
na obra, passada por 50 anos contínuos,
todos os dias faria que o efeito
do desgaste fosse semelhante a 10
minutos de lixa! Já pensou
o estrago? Pois é o que costuma
acontecer.
- Colocar esparadrapo, adesivos
ou fita gomada na parte de trás
do quadro.
Costuma-se usar tal artifício
para arremates ou mesmo para a reparação
amadora de algum furo ou dano na
tela. Efeito secundário -
A "goma", não seca!
Ficando ali, um nicho perfeito para
o desenvolvimento de fungos, bactérias
e insetos.
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