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Conservação
de quadros no Brasil
Todas as regras aplicadas mundialmente
(leia-se Europa) para a conservação
de pinturas a óleo, não
podem de maneira alguma ser aplicadas
em quadros que estejam no Brasil.
Devido ao nosso clima tropical,
e a riqueza de nuanças de
temperatura, desde as tórridas
nordestinas às tênues
sulistas, tornam todo material usado
na composição de uma
pintura, completamente inadequados.
Começando pela própria
tinta, cujo Q.S.P. (veículo
do pigmento) a base de óleo,
tem no prazo médio de sete
anos uma secagem total e completa,
acarretando com isso, devido ao
ressecamento total, o início
do processo de craquelagem.
A preparação da tela,
normalmente a base caulim lixado
e isolado, deveriam ser elaborados
a base de P.V.A (composto usado
em colas brancas e tintas tipo látex,
no o mais recomendável para
o caso brasileiro, já que
esses materiais conservam a elasticidade
da base da pintura). O chassi (a
estrutura de madeira sobre a qual
a tela de pano é esticada),
em sua grandemaioria, é feito
sem cunhas (manchões próprios
para controlar a tensão do
tecido), e esse fato, costuma em
uma freqüência muito
grande, acarretar uma flacidez na
trama do tecido da tela, propiciando
o descolamento da capa pictórica
e por fim um sinistro irreparável
na pintura.
Por fim os vernizes, novamente sempre
os de origem e fórmulas européias,
onde o clima definido e fiel às
quatro estações do
ano, não requerem nenhum
tipo de elasticidade. No Brasil,
como temos as quatro estações
às vezes em um único
dia, o único verniz adequado,
seria um verniz maleável
às intempéries, portanto
a base de um composto de cera animal
e vegetal. Ainda assim, a pintura
está constantemente submetida
á ação dos
fungos aeróbicos presentes
o ano todo em nosso clima tropical,
e implacavelmente haverá
um ataque sobre o pigmento da tela,
tão logo esta entre em contato
com algum tipo de umidade, seja
ela atmosférica ou proveniente
da parede em que o quadro está
dependurado.
No
primeiro caso, a umidade atmosférica,
podemos através de uma constante
manutenção de uma
grossa camada de verniz na tela,
com produtos antibióticos
misturados a estes, resolver o caso.
E quanto à umidade da parede
onde o quadro está dependurado,
a simples colagem na parede de uma
fina placa de isopor poderá
vir a isolar a tela do contato direto
da temperatura "fria"
da parede, tornando a temperatura
total do quadro, semelhante a do
ambiente a que está exposto.
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