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Conservação
e responsabilidade
A palavra conservação,
engloba um completo universo de
técnicas e práticas,
quando associada a obras de arte.
O simples fato de possuir uma pintura,
faz de você acima de tudo,
um responsável direto pela
manutenção e guarda
dessa obra! Claro que você
adquiriu, que detém a posse
do quadro, mas isso, não
faz de você o senhor absoluto
dessa obra, pois ela foi criada,
concebida e imaginada por alguém,
que detém e sempre deterá
o crédito de sua criação.
O fato de que, geralmente, o valor
artístico está estreitamente
ligado ao valor comercial da obra,
ajuda e incentiva para que essa
obra seja melhor e mais perfeitamente
conservada.
Um
quadro, quando não conservado
e tratado, com o passar dos anos,
vai perdendo sua elasticidade, o
Q.S.P. (veículo condutor
do pigmento), resseca-se ao passar
de médios 7 anos, e a partir
daí, o processo de decomposição
da capa pictórica e da base
da pintura, como tela, madeira,
cartão etc., é irreversível
(caso não tratado), acarretando
com isso, sérios danos à
qualidade visual, artística
e comercial desta obra.
Fator "condições
climáticas", são
os maiores inimigos de seu quadro,
pois como no Brasil, não
contamos com inverno rigoroso, a
proliferação de fungos
aeróbios e anaeróbios
que atuam sobre e sob a capa pictórica,
são inúmeros. (Caso
tivéssemos um inverno como
nos países Europeus, ciclicamente,
os fungos mais nocivos, desapareceriam
nessa época do ano, não
dando assim, continuidade à
colônia estabelecida no corpo
do quadro.), também o fato
de termos 4 estações
climáticas em um mesmo dia,
magoa de forma profunda a composição
como um todo.
Outro
fator de grande relevância,
é a grande poluição
atmosférica a que estão
sujeitas as grandes cidades, poluição
essa, que atribui a capa pictórica,
uma camada graxosa intensa, de alto
poder corrosivo e degenerativo.
Somado a esses agravantes do cotidiano,
contamos ainda com o fato de que
uma obra de arte, tem vida, por
mais inerte e estática que
possa aparentar!
A
tela, de acordo com a temperatura
ambiente, pode estar mais o menos
retesada, e quando a capa pictórica
está ressecada, isso acarreta
a craquelação do pigmento,
e por conseguinte, o desprendimento
de parte da tinta da tela. A tela
base, ou seja, o tecido usado para
a pintura, também entra em
rápido processo de decomposição,
chegando ao total apodrecimento
em algumas dezenas de anos. Tudo
isso somado ao verniz inadequado
as condições climáticas
brasileiras (pois o verniz a ser
usado no Brasil, para um clima tropical,
necessariamente deve ser um composto
a base de cera, que possa "andar
" junto com a pintura, em uma
mudança abrupta de clima),
torna seu quadro, sua obra de arte,
um sério candidato a acarretar
um aborrecimento extra para você
e para seu bolso.
A
solução desses inevitáveis
problemas, é a conservação
periódica de suas obras de
arte. O restaurador, revigorará
o Q.S.P., da capa pictórica,
regulará a tensão
da ela, e rehidratará toda
a estrutura interior e periférica
do quadro. Um restaurador gabaritado
e habilitado, pode definir qual
o método ideal de recuperação
ou de simples conservação
a ser adotado em sua obra, adiando
com isso, por tempo ilimitado a
vida e sobrevida artística
e comercial de seu inestimável
acervo.
A aplicação de quaisquer
produtos que não específicos
para restauração,
como cebola, batata, lustra móveis,
jiló etc, vão ajudar
tremendamente o desenvolvimento
de fungos na capa pictórica,
e envernizar um quadro sem antes
esteriliza-lo complemente, significa
fazer um Sandwich de graxa e fungos
entre o verniz recente e o antigo.
Lembre que todo restauro feito por
aquela "tia" que entende
de quadros, fatalmente levará
a um sinistro irreversível
de seu quadro querido!
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