CARLOS RIELLI JR

Conservação e responsabilidade

A palavra conservação, engloba um completo universo de técnicas e práticas, quando associada a obras de arte. O simples fato de possuir uma pintura, faz de você acima de tudo, um responsável direto pela manutenção e guarda dessa obra! Claro que você adquiriu, que detém a posse do quadro, mas isso, não faz de você o senhor absoluto dessa obra, pois ela foi criada, concebida e imaginada por alguém, que detém e sempre deterá o crédito de sua criação. O fato de que, geralmente, o valor artístico está estreitamente ligado ao valor comercial da obra, ajuda e incentiva para que essa obra seja melhor e mais perfeitamente conservada.

Um quadro, quando não conservado e tratado, com o passar dos anos, vai perdendo sua elasticidade, o Q.S.P. (veículo condutor do pigmento), resseca-se ao passar de médios 7 anos, e a partir daí, o processo de decomposição da capa pictórica e da base da pintura, como tela, madeira, cartão etc., é irreversível (caso não tratado), acarretando com isso, sérios danos à qualidade visual, artística e comercial desta obra.

Fator "condições climáticas", são os maiores inimigos de seu quadro, pois como no Brasil, não contamos com inverno rigoroso, a proliferação de fungos aeróbios e anaeróbios que atuam sobre e sob a capa pictórica, são inúmeros. (Caso tivéssemos um inverno como nos países Europeus, ciclicamente, os fungos mais nocivos, desapareceriam nessa época do ano, não dando assim, continuidade à colônia estabelecida no corpo do quadro.), também o fato de termos 4 estações climáticas em um mesmo dia, magoa de forma profunda a composição como um todo.

Outro fator de grande relevância, é a grande poluição atmosférica a que estão sujeitas as grandes cidades, poluição essa, que atribui a capa pictórica, uma camada graxosa intensa, de alto poder corrosivo e degenerativo. Somado a esses agravantes do cotidiano, contamos ainda com o fato de que uma obra de arte, tem vida, por mais inerte e estática que possa aparentar!

A tela, de acordo com a temperatura ambiente, pode estar mais o menos retesada, e quando a capa pictórica está ressecada, isso acarreta a craquelação do pigmento, e por conseguinte, o desprendimento de parte da tinta da tela. A tela base, ou seja, o tecido usado para a pintura, também entra em rápido processo de decomposição, chegando ao total apodrecimento em algumas dezenas de anos. Tudo isso somado ao verniz inadequado as condições climáticas brasileiras (pois o verniz a ser usado no Brasil, para um clima tropical, necessariamente deve ser um composto a base de cera, que possa "andar " junto com a pintura, em uma mudança abrupta de clima), torna seu quadro, sua obra de arte, um sério candidato a acarretar um aborrecimento extra para você e para seu bolso.

A solução desses inevitáveis problemas, é a conservação periódica de suas obras de arte. O restaurador, revigorará o Q.S.P., da capa pictórica, regulará a tensão da ela, e rehidratará toda a estrutura interior e periférica do quadro. Um restaurador gabaritado e habilitado, pode definir qual o método ideal de recuperação ou de simples conservação a ser adotado em sua obra, adiando com isso, por tempo ilimitado a vida e sobrevida artística e comercial de seu inestimável acervo.

A aplicação de quaisquer produtos que não específicos para restauração, como cebola, batata, lustra móveis, jiló etc, vão ajudar tremendamente o desenvolvimento de fungos na capa pictórica, e envernizar um quadro sem antes esteriliza-lo complemente, significa fazer um Sandwich de graxa e fungos entre o verniz recente e o antigo. Lembre que todo restauro feito por aquela "tia" que entende de quadros, fatalmente levará a um sinistro irreversível de seu quadro querido!

 


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