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Restauração
ou reforma?
O conceito existente sobre a restauração
de edificações costumeiramente
executado no Brasil, vem sendo erroneamente
aplicado e ensinado desde as origens,
ou seja desde as escolas de arquitetura.
Quando se propõe a restaurar
um prédio, um museu, uma
igreja, podemos normalmente contar
com dois tipos distintos de restauração.
O primeiro, chamado de arqueológico
ou museológico, consiste
em conservar o sítio exatamente
como ele se encontra, preservando
o local tal como ele se encontra,
identificando separando o entulho
real dos elementos pertencentes
e pertinentes à construção
original, selecionando das quais
partes esses elementos provieram,
e de acordo com a facilidade apresentada,
recoloca-los ao lugar original,
e finalmente proceder ao suporte
técnico e material para estagnação
do processo degenerativo gerado
pelo tempo e por fatores estranhos
aos naturais. Esse tipo de processo,
estende-se desde o reforço
estrutural, até a simples
limpeza e conservação
física do sítio como
um todo, sempre lembrando que a
originalidade do local deve ser
preservada a todo custo, e de nenhuma
maneira admite-se a inclusão
de novos elementos complementando
assim o original. Esse é
o tipo de restauro é usado
principalmente na Europa, e um bom
exemplo é o Coliseu de Roma,
onde nada foi acrescentado desde
que se iniciou o processo de conservação
e restauração.
O segundo tipo de restauro, o ilusionista,
é aquele que é subdividido
em duas partes: A primeira, é
idêntica ao restauro arqueológico,
os mesmos procedimentos são
realizados, seguindo todas as etapas.
A segunda parte, consiste em acrescentar
ao sítio, as características
semelhantes às originais
que este possuía do quando
de sua construção
ou mesmo de alguma época
pós reforma.
Desde
que os materiais empregados para
esse fim (a reconstrução),
sejam de constituição
diferente dos originais, não
haverá a homogeneidade entre
estes, o que sempre será
um divisor entre o original e o
restauro ilusionista. Um bom exemplo,
seria de um prédio originalmente
construído com pedras, e
as partes ausentes, reconstituídas
com tijolos tipo "Ciporex"
(material novo, poroso, muito leve,
próprio para construções).
Na parte de acabamento, das paredes,
pisos, forros, guarnições
de portas e janelas etc.;
deve-se
usar materiais e elementos semelhantes
aos originais, respeitando contudo
as divisões entre as partes
originais e as refeitas. Nesses
casos, pode-se salientar tais limites
de divisões, agraves de espaços
claramente demarcados com outros
elementos ou mesmo com desenhos
ou veios contrários aos originais.
Quanto à pintura, podem ser
usadas as de "q.s.p."
baseados em P.V.A pois as pinturas
originais, de manufatura geralmente
rudimentar, muito raramente e, em
alguns casos especialíssimos,
conseguem resistem ao tempo. O envelhecimento
artificial das pinturas irá
dar o "cachê" de
Antigüidade e uma melhora substancial
na estética de todo sítio.
A "restauração"
mais praticada no Brasil, é
na verdade, uma reforma! O que vem
a contradizer os dois conceitos
básicos de restauração
descritos anteriormente, visto que
é usada para refazer uma
nova estrutura, sem a preocupação
de distinguir, proteger e preservar
o original, mantendo apenas o interesse
no aspecto estético e arquitetônico
na apresentação final
do trabalho realizado.
Ocorre
que nessas reformas, são
usados costumeiramente materiais
e elementos idênticos e de
mesma procedência dos originais,
que vem acarretar com o passar do
tempo, a fusão entre original
e reconstruído, sendo praticamente
impossível à ação
de reversibilidade do feito, que
é regra obrigatória
da restauração. Embora
o aspecto da construção
e do sítio, após a
reforma possa parecer de excelente
qualidade, preservando as características
da construção original,
não significa que este foi
restaurado! Esse procedimento de
simples reforma, aplicado como se
fora restauração,
pode ser facilmente constado em
várias igrejas, museus e
prédios históricos
do país.
"A
restauração, é
a arte de apenas recompor e conservar
um original"
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