CARLOS RIELLI JR

Restauração ou reforma?

O conceito existente sobre a restauração de edificações costumeiramente executado no Brasil, vem sendo erroneamente aplicado e ensinado desde as origens, ou seja desde as escolas de arquitetura. Quando se propõe a restaurar um prédio, um museu, uma igreja, podemos normalmente contar com dois tipos distintos de restauração.

O primeiro, chamado de arqueológico ou museológico, consiste em conservar o sítio exatamente como ele se encontra, preservando o local tal como ele se encontra, identificando separando o entulho real dos elementos pertencentes e pertinentes à construção original, selecionando das quais partes esses elementos provieram, e de acordo com a facilidade apresentada, recoloca-los ao lugar original, e finalmente proceder ao suporte técnico e material para estagnação do processo degenerativo gerado pelo tempo e por fatores estranhos aos naturais. Esse tipo de processo, estende-se desde o reforço estrutural, até a simples limpeza e conservação física do sítio como um todo, sempre lembrando que a originalidade do local deve ser preservada a todo custo, e de nenhuma maneira admite-se a inclusão de novos elementos complementando assim o original. Esse é o tipo de restauro é usado principalmente na Europa, e um bom exemplo é o Coliseu de Roma, onde nada foi acrescentado desde que se iniciou o processo de conservação e restauração.

O segundo tipo de restauro, o ilusionista, é aquele que é subdividido em duas partes: A primeira, é idêntica ao restauro arqueológico, os mesmos procedimentos são realizados, seguindo todas as etapas. A segunda parte, consiste em acrescentar ao sítio, as características semelhantes às originais que este possuía do quando de sua construção ou mesmo de alguma época pós reforma.

Desde que os materiais empregados para esse fim (a reconstrução), sejam de constituição diferente dos originais, não haverá a homogeneidade entre estes, o que sempre será um divisor entre o original e o restauro ilusionista. Um bom exemplo, seria de um prédio originalmente construído com pedras, e as partes ausentes, reconstituídas com tijolos tipo "Ciporex" (material novo, poroso, muito leve, próprio para construções). Na parte de acabamento, das paredes, pisos, forros, guarnições de portas e janelas etc.;

deve-se usar materiais e elementos semelhantes aos originais, respeitando contudo as divisões entre as partes originais e as refeitas. Nesses casos, pode-se salientar tais limites de divisões, agraves de espaços claramente demarcados com outros elementos ou mesmo com desenhos ou veios contrários aos originais.

Quanto à pintura, podem ser usadas as de "q.s.p." baseados em P.V.A pois as pinturas originais, de manufatura geralmente rudimentar, muito raramente e, em alguns casos especialíssimos, conseguem resistem ao tempo. O envelhecimento artificial das pinturas irá dar o "cachê" de Antigüidade e uma melhora substancial na estética de todo sítio.

A "restauração" mais praticada no Brasil, é na verdade, uma reforma! O que vem a contradizer os dois conceitos básicos de restauração descritos anteriormente, visto que é usada para refazer uma nova estrutura, sem a preocupação de distinguir, proteger e preservar o original, mantendo apenas o interesse no aspecto estético e arquitetônico na apresentação final do trabalho realizado.

Ocorre que nessas reformas, são usados costumeiramente materiais e elementos idênticos e de mesma procedência dos originais, que vem acarretar com o passar do tempo, a fusão entre original e reconstruído, sendo praticamente impossível à ação de reversibilidade do feito, que é regra obrigatória da restauração. Embora o aspecto da construção e do sítio, após a reforma possa parecer de excelente qualidade, preservando as características da construção original, não significa que este foi restaurado! Esse procedimento de simples reforma, aplicado como se fora restauração, pode ser facilmente constado em várias igrejas, museus e prédios históricos do país.

"A restauração, é a arte de apenas recompor e conservar um original"

 


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