CARLOS RIELLI JR

Mudança de hábito

Suas obras de arte, nesse século, estarão sujeitas a diferentes tipos de degeneração e sinistros, fato o que nos levará a modificar o tratamento e as técnicas de limpeza e conservação.

Imaginem que um quadro, no séc. XX, sofria a ação de fuligem, ou seja de luz vela e fogão a lenha e nicotina dos cigarros. Apenas no final do século é que a poluição passou a ser fato degenerativo da pintura. Já no começo do séc. XXI, com a mudança dos hábitos, a nicotina deixou de ser uma das principais causas de empobrecimento da capa pictórica, e a principal vilã, passou a ser a graxa poluitiva, resultado dos diversos gases e partículas que se encontram em suspensão na atmosfera. Outra mudança de hábitos que também veio a aumentar a parcela de riscos de uma obra de arte, é a mais constante mudança de endereço que esta obra está sujeita. Como ainda na maioria dos casos, nossos quadros estão envernizados com vernizes de origem e conceitos europeus, os danos aferidos á pintura no começo desse século, embora mais amenos que os do século passado, ainda são bastante prejudiciais à tela! Costumava-se em tempos passados, conservar a casa da família, assim como seus utensílios, por gerações e gerações... Agora, existem as constantes mudanças físicas e de proprietários que são habituais e corriqueiras, e o "provisório definitivo" passou a fazer parte de nossas vidas. Outra mudança de hábito notada, é o rigor do acompanhamento da moda de decoração, o que faz com que o quadro tenha sua moldura trocada por diversas vezes, existindo ainda, um revezamento entre paredes principais e fundo de armários, dependendo da moda da década.

Com todo esse "vaivém" uma obra de arte passa por um número muito maior de seqüências que podem aumentar consideravelmente o risco de um sinistro mais grave. O tratamento devido para esse tipo de dano, é a constante limpeza do quadro por um perito. Costuma-se passar uma flanela extremamente macia na pintura diariamente como meio de conservar o pigmento limpo.

Agora imaginem... passar a flanela diariamente, por anos a fio... o fator abrasivo, corresponde ao de 10 minutos contínuo de lixa grossa! Por isso acontece de um quadro "perder" a cor ou mesmo a assinatura, que em diversos casos, era colocada após o quadro totalmente pronto e portanto sobre o verniz.

A solução é encaminhar o quadro numa freqüência maior a um ao restaurador, que solucionará o problema da limpeza da mudança do verniz, assim como fazer a verificação das estruturas de suporte da obra. Uma vez que o quadro, coberto por camada graxosa, sem a exuberância devida, e o brilho natural concebido pelo pintor, vai fatalmente perder o efeito luz e sombra, o efeito estético, decorativo e principalmente artístico.

 


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